Queridos amigos,

Com autorização do Pe.Miguel Pereira, torno-me porta-voz da Direcção da ACAR nesta reflexão que, tendo na génese o desejo de agradecer a todos, acabou por se tornar quase um testemunho pessoal.
Depois de uma jornada como foi a nossa ida a Roma, fica agora a experiência de uma amizade enraizada na comunhão da Igreja. 

Podíamos dizer tantas coisas que, sendo verdadeiras, nunca passariam para lá do sentimental e daqui a uns meses não seriam mais do que uma vaga recordação, tornada presente com a ajuda das fotografias. Enfim, mais um acontecimento que, com o passar do tempo, perderia a capacidade de nos aquecer o coração! Claro que todos somos, desde agora, chamados a ser memória deste encontro uns para os outros! Mas mesmo assim, o risco da redução está lá.

Então o que é que torna este acontecimento tão diferente, tão decisivo?

Não é tanto o acontecimento em si, mas a forma como o vivemos. A forma como nos colocamos diante do acontecimento é que nos permite ver nele o essencial: a surpresa de Deus para cada um.
A cada um de nós, pela sua circunstância específica, Deus surpreende de forma diferente e única. Mas tudo parte daquela afeição, daquela surpreendente descoberta de ser tão pequeno para receber tanto. A desproporção gera em nós uma inquietante gratidão e depois... depois, ou ficamos presos na nossa pequenez e incapacidade... nas nossas reduções, nas nossas lógicas de coerência... ou deixamos que o espanto nos vença e vem o desejo de seguir, seguir, seguir... fazer o caminho que Deus nos aponta, abandonar-mo-nos à certeza... à confiança na certeza de uma promessa que se cumpre.

Isto é o essencial!

Ao permitir que se concretizasse o nosso desejo de oferecer esta Cruz ao Papa, no início dos trabalhos do Sínodo da Família e no dia em que o Santo Padre começa um ciclo de catequeses sobre a Igreja, percebemos que Deus abraça de facto a sua Esposa – Igreja, como família de famílias e como Mãe e Mestra de todos os batizados. É assim que Ele nos fala. Nada, nenhum pormenor é alheio à Sua vontade ou deixado ao acaso! Todos os cabelos da nossa cabeça estão contados... Ele está todo no acontecimento, assim esteja a nossa humanidade madura e desperta para O reconhecer! Assim, certamente não terá sido por acaso que a Missa celebrada no dia 18, na Igreja de Santo António dos Portugueses, em ação de graças e pedindo por Portugal e pela defesa da vida e da família no
nosso País, tenha tido como mote o tema do martírio. Como também não terá sido por acaso que a Missa do dia 19, solenidade do Corpo de Deus, tenha sido celebrada nas catacumbas da Basílica de São Pedro e logo, na capela dos Santos Padroeiros da Europa. O sinal do martírio de novo, e um sinal que se dirige à Europa onde Cristo está a ser cada vez mais perseguido, na família, na igreja, na vida consagrada, etc...


Também não são devidas ao acaso as circunstâncias que possibilitaram o jantar na Embaixada bem como toda a ajuda dada pelo Sr.Embaixador e Esposa, pelo Sr.Conselheiro da Embaixada e por Mons.Bettencourt e ainda a colaboração do Mons. Agostinho Borges.
Foi com muita alegria que conhecemos os dois prefeitos da Casa Pontifícia, Mons. Georg Ganswein e Mons. Leonardo Sapienza. Ambos nos deixaram uma marca de simpatia, simplicidade e disponibilidade que encarnaram a própria familiaridade de Cristo.


Sabemos que Deus se revela no encontro entre as pessoas. Mas nós que estivemos lá, uns mais perto, outros mais longe - mas todos estivemos – somos testemunhas deste encontro em particular. E isso faz toda a diferença! Isso é o suficiente para nos deixar gratos e inquietos e isso provoca em nós uma mudança.

Isso é o essencial!

Gratos a Deus, antes de tudo. Mas também gratos a cada um dos que nos acompanharam, a cada um dos que colaboraram para que o encontro se tornasse possível e a cada um dos que nos acompanharam com a oração.
Fica o desejo de vos rever brevemente a todos, mas entregamos as vidas de cada um ao desígnio providencial de Deus certos de que, unidos em Cristo, a nossa amizade irá muito para além do tempo.

Com amizade e estima,
Maria José Vilaça
Encontro com o Santo Padre, Papa Francisco, na Audiência Geral de 18 de Junho de 2014, por ocasião da oferta da cruz “Ut Christus ecclesiam amavit”.